“Há mails que vêm por bem”

Troca de correspondência entre dois amigos, dois comediantes, dois gajos que não percebem pevide de automóveis:

António Raminhos e Luís Filipe Borges.

Grande Raminhos, espero que esta te encontre bem, e sobretudo de saúde. Talvez seja a nossa última troca de correspondência. Recordemos o leitor presente do contexto em que estas cartas foram escritas: na véspera dum triplo acontecimento de consequências potencialmente cósmicas. Quiçá catastróficas.

a) O Papa em Fátima;

b) O Benfica potencial tetracampeão na Luz perante o Vitória de Guimarães;

c)Salvador Sobral porventura o Éder do Festival da Eurovisão.

Ou seja, qualquer cidadão que reúna estas três características – ser católico, benfiquista e possuir coração – poderá não ter sobrevivido a esta sinergia de elementos. Demasiada emoção. Acho mesmo que toda esta tríplice coincidência foi uma partida do destino dirigida propositadamente ao Presidente da República; um verdadeiro desafio divino, uma tentação mitológica: ora bem, estar no mesmo dia em Fátima, no Estádio da Luz e em Kiev?!

Marcelo Rebelo de Sousa – “Challenge accepted!”.

Felizmente, o sempre atento Autohoje depositou ao cuidado das minhas mãos incautas o veículo perfeito para enfrentar este turbilhão de acontecimentos. O Seat Ateca – branco como o papamóvel, vencedor de múltiplos prémios como o SLB e, tal como Salvador Sobral foi o primeiro português com reais hipóteses de conquistar a Eurovision, também o Ateca é pioneiro - sendo o primeiro SUV da marca espanhola. Espanha onde, diga-se de passagem, Salvador viveu uns anos valentes. Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay.

Este automóvel, detentor do título “Best Buy Car in Europe 2017”, é igualmente um tricampeão rumo ao tetra. Senão vejamos: é pequeno o suficiente para ser ágil em cidade, grande o suficiente para brilhar no campo, capaz de transportar várias ucranianas esbeltas e, reitero, alvo, puro e virginal como uma carmelita descalça. Poderia ser sonso, prefiro considerá-lo um multitasker. Sim, em inglês. E a croniqueta já apresentou uma citação em castelhano no parágrafo anterior. Porquê? Porque o Salvador canta nessas línguas todas. E este crossover, bom para o avô e para o bebé, para o citadino e para o rural, é, lá está, o quê, say what, todos comigo agora, capaz portanto de… amar pelos dois. Pumba, vai buscar, Ben-fi-ca, Ben-fi-ca, Ben-fi-ca.

Nota final: no caso do Salvador ter ficado em 2º, do Papa Chico ter bolsado à vista do terço mastodôntico da Joana Vasconcelos, e do Marega ter fornicado uma Catedral cheia de almas esperançosas loucas por uma peregrinação até ao Marquês, é favor visitar este escriba na ala oeste do Júlio de Matos. Grato.

Luís Filipe BORGES

 

Tudo bem? Sou homem para ir visitar-te à ala oeste do Júlio de Matos, mas exactamente por se ter confirmado as melhores previsões. O Papa chegou viu e venceu, tal como o Benfica e o Salvador Sobral. Isto também é o suficiente para enlouquecer qualquer um. Aliás, até fui confirmar junto de uma Bíblia e das previsões do Nostradamus se isto não era um dos sinais do Apocalipse.

Em 61 anos de Eurovisão nunca Portugal tinha chegado, sequer, ao pódio e nunca em 113 anos de história tinha o Benfica conquistado um tetra. Ora, se no caso dos benfiquistas, há sempre esse sonho de ganhar tudo, duvido muito que alguém alguma vez imaginasse ganhar a Eurovisão. Acho que a maior parte de nós até achava piada, todos os anos, ver o quão mal classificados iríamos terminar. O Salvador Sobral veio baralhar as contas. Para além de ser, claramente, o mais talentoso, era também o menos esquisito. E o Salvador ser o menos esquisito também revela bem o nível de “esquisitice” do festival. Havia um preconceito que foi quebrado.

Olha, um pouco como o modelo que conduzi esta semana: o Hyundai i30 1.6 CRDi. Muita gente, não sei bem porquê, desconfia de marcas coreanas. Provavelmente porque alguém lhe disse “ah e tal”. Depois entram no carro, experimentam e ficam quase com aquela estranha sensação de  “ai que eu gostei disto!”.

Para além da relação qualidade/preço, garantia, e das linhas, a própria condução torna-se divertida. Como sabes, moro no meio do campo, com muitas curvas pelo meio... e foi uma diversão ver o i30 agarrar-se à estrada e com suavidade. O consumo a rondar os 5,8 litros também acaba por ser uma agradável surpresa. Mas o que tenho gostado mais nos modelos da Hyundai tem sido, quase sempre, aquele ecrã central com tanta coisa para explorar e intuitivo. Há modelos cujo painel LCD parece a mala da minha mulher: nunca consigo encontrar nada do que procuro.

Ou seja, o Hyundai i30 podia ser uma espécie de Salvador Sobral do segmento. Enquanto o sector se calhar olha para outros modelos, ele chega de mansinho para tentar marcar posição. Agora o problema, não da Hyundai mas do Salvador Sobral, é que colocou a fasquia muito alta. É possível que a Hyundai seja capaz de fazer outro modelo melhor nos próximos, mas ganhar a Eurovisão... já não sei se vamos lá outra vez.

António RAMINHOS

 

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